PV 32 anos por uma Economia Criativa e Regenerativa

Economia Criativa é uma nova forma econômica em ascensão no mundo de hoje. Como o nome indica, ela diz respeito à geração de valor por meio da criatividade. São bens e serviços baseados no capital intelectual e cultural e que buscam melhorar, inovar ou resolver problemas.

Vender experiências é um dos lemas da Economia Criativa, como explica o pesquisador inglês John Howkins, um dos grandes especialistas no tema, no vídeo abaixo. O setor do varejo é o que tem maior destaque e potencial na área, pois possui mais liberdade para criar diferentes soluções para cada tipo de público. A liberdade é um dos pré-requisitos para que a criatividade venha à tona, possibilitando o desenvolvimento de novos produtos em resposta a demandas ou interesses específicos, com um maior cuidado e atenção aos recursos ambientais.

Economia Criativa se divide em quatro grandes áreas: consumo, mídias, cultura e tecnologia. São negócios nos mais variados segmentos que se agrupam nessas categorias e que se identificam com os movimentos e tendências da inovação e da criatividade. São exemplos empresas de desenvolvimento de softwares e videogames, grupos culturais, escritórios de design, artistas plásticos, produtores de artesanato, restaurantes e agências de turismo cultural.

No Brasil, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) é um dos grandes incentivadores do setor da Economia Criativa, que em 2015 gerou uma riqueza de R$ 155,6 bilhões para a economia brasileira, segundo o “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil”, publicado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) em dezembro de 2016. Esse valor equivale a 2,64% do PIB nacional de 2015, com 851,2 mil profissionais formais empregados na chamada indústria criativa. O Ministério da Cultura teve entre 2012 e 2015 uma Secretaria de Economia Criativa, que abrangia diversas áreas culturais, criação de games e serviços de comunicação e publicidade. A pasta atualmente se chama Secretaria de Economia da Cultura e abarca oficialmente somente atividades culturais.


A ONU publica desde 2008 alguns relatórios sobre o tema. O Relatório de Economia Criativa 2010, produzido pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) em parceria com o PNUD, destaca que “a Economia Criativa se tornou uma questão atual da agenda econômica e de desenvolvimento internacional durante esta década. Estimulada de forma adequada, a criatividade incentiva a cultura, infunde um desenvolvimento centrado no ser humano e constitui o ingrediente chave para a criação de trabalho, inovação e comércio, ao mesmo tempo em que contribui para a inclusão social, diversidade cultural e sustentabilidade ambiental.”

O relatório enfatiza ainda que o setor foi um dos menos afetados pela crise econômica mundial, pois se baseia em novos preceitos, adotando relações de trabalho mais igualitárias e políticas de consumo mais justas, sustentáveis e inclusivas. Conceitos como venda direta do produtor para o consumidor, valorização da identidade local, produção sob demanda e consumo de bens personalizadossão diretrizes que impulsionam o mercado criativo.

As pequenas e médias empresas são a maioria nesse setor, embora algumas grandes companhias já adotem práticas como liberar uma porcentagem do tempo do trabalhador para ser dedicada a projetos de inovação. Os bens e serviçoscomercializados, em geral, tem um valor intangível, baseado na venda de experiências, o que propõe aos consumidores uma nova relação com os produtos. A ideia é consumir menos para consumir melhor, seja conhecendo as pessoas de quem você compra ou incentivando negócios sustentáveis e com preocupação ambiental. Para saber mais, confira no vídeo em que a especialista e pioneira no setor Lala Deheinzelin explica a relação entre Economia Criativa e Sustentabilidade.

O que é economia regenerativa?

economia regenerativaA economia regenerativa afirma que reconhece o valor real do meio ambiente, diferente da economia padrão 

Economia regenerativa é um sistema econômico que valora o Sol e a Terra, considerados “bem de capital original”. Nesse sentido, diferente do que acontece na economia padrão, a economia regenerativa afirma que reconhece o valor real do meio ambiente – o sistema de suporte da vida humana.

Economia regenerativa x economia padrão

A economia regenerativa é uma proposta teórica em sintonia com o sistema capitalista vigente, mas que sugere mudanças no modo como as coisas são valoradas. O que a diferencia da economia padrão é que, enquanto na teoria econômica padrão pode-se regenerar os bens ou consumi-los até seu ponto de escassez, na economia regenerativa, ao levar em conta o valor econômico dos capitais originais, a Terra e o sol, pode-se restringir o acesso a esses bens de capital original de maneira que sua escassez seja evitada.

Princípios da economia regenerativa

economia regenerativa, no âmbito teórico, parte do pressuposto de que os princípios universais do cosmos, tais como integridade, ética, cuidado e compartilhamento, devem ser usados como um modelo para o design do sistema econômico. Os defensores dessa teoria vão contra os princípios neoliberais e propõem em seu lugar que o mercado se autorregule por meio de relações eficientes e transparentes, isso tudo em conjunto com outros oito princípios-chave:

1. Relacionamento

A teoria da economia regenerativa afirma que a humanidade é parte integrante de uma teia interconectada de vida em que não existe separação real entre “nós” e “eles”. Segundo essa teoria, a economia humana está completamente inserida na biosfera, onde todos estão ligados uns aos outros e a todos os locais em nível global. Assim, danos causados a qualquer parte refletirão e prejudicarão as outras partes, manifestando-se como uma onda.

2. Riqueza holística

economia regenerativa considera que a verdadeira riqueza não é apenas o dinheiro no banco. Ela parte do pressuposto de que a riqueza é o bem-estar do conjunto, que deve ser alcançado por meio da harmonização de múltiplos tipos de riqueza ou capital, inclusive sociais, culturais, vivos e experiencial. A riqueza deve ser definida por uma prosperidade amplamente compartilhada em todas as variadas formas de capital.

3. Inovação, adaptação, sensibilidade

O terceiro princípio da economia regenerativa diz que, em um mundo em que a mudança está sempre presente, as qualidades de inovação e adaptabilidade são fundamentais para a saúde do todo. Essa afirmação é comparada à teoria de Charles Darwin, que diz: “Na luta pela sobrevivência, a vitória do mais forte é à custa de seus rivais”.

4. Participação

A teoria da economia regenerativa afirma que, em um sistema interdependente, todas as partes devem se relacionar com o todo; negociando não apenas suas próprias necessidades, mas também contribuindo para a saúde e o bem-estar dos conjuntos maiores em que estão incorporadas.

5. Honra, comunidade e local

Cada comunidade humana, segundo a teoria da economia regenerativa, consiste em um mosaico único de povos, tradições, crenças e instituições, formado pela geografia, história, cultura, ambiente local e necessidades humanas. Dessa forma, deve-se nutrir comunidades e regiões saudáveis e resilientes de acordo com a essência de sua história.

6. Abundância do efeito de borda

Criatividade e abundância, para os teóricos da economia regenerativa, florescem sinergicamente nas “bordas” de sistemas. Para exemplificar esse princípio, é feita uma analogia com a abundância de vida interdependente dos pântanos onde os rios encontram o oceano, em que as oportunidades de inovação e fertilização cruzadas são maiores. Partindo desse ponto de vista, a economia regenerativa acredita que trabalhar de modo colaborativo em todas as margens – com a aprendizagem e o desenvolvimento contínuos provenientes da diversidade que existe nesses locais – é transformador tanto para as comunidades onde os intercâmbios estão acontecendo quanto para os indivíduos envolvidos.

7. Fluxo circulatório robusto

Assim como a saúde humana depende da circulação de oxigênio, nutrientes, etc., a saúde econômica depende de fluxos circulatórios de dinheiro, informações, recursos, bens e serviços para manter o intercâmbio, a descarga de toxinas e a nutrição de cada célula em todos os níveis das redes humanas. De acordo com a economia regenerativa, a circulação do dinheiro, da informação, o uso eficiente e a reutilização de materiais são particularmente importantes para indivíduos, empresas e economias, e atingem o potencial regenerativo esperado dentro do modelo regenerativo. Nesse sentido, a economia regenerativa se aproxima de alguns exemplos de uso eficiente e de reutilização de materiais, como a compostagem, o uso de cisternas e de outros produtos mais sustentáveis.

Fonte: Ecycle